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Na quarta-feira, o Banco Central (BC), de acordo com o consenso de mercado, manterá inalterada a taxa Selic em 12,5% ao ano, mas o governo vem emitindo sinais nas últimas semanas de que pretende aproveitar a oportunidade criada pela segunda etapa da crise internacional, com crescimento econômico global mais baixo e menor pressão dos preços de commodities para a inflação doméstica, e fazer a convergência dos juros brasileiros para padrões internacionais.

O desejo de taxas menores é compartilhado por praticamente todos os economistas, mas poucos analistas fora do governo acreditam que seja possível trilhar esse caminho de maneira rápida, seja pela trajetória da inflação doméstica esperada para os próximos meses, seja pelas condições do país em termos fiscais, de acordo com opiniões colhidas dos participantes do 5º Congresso Internacional de Mercados Financeiros e de Capitais, organizado pela BM&FBovespa.

Para o economista-chefe do Itaú Unibanco e ex-diretor de Política Econômica do Banco Central, Ilan Goldfajn, é possível chegar à convergência em momentos de crise, como fizeram, por exemplo, Chile e México, mas demanda tempo e o lado fiscal tem que contribuir, disse ele.

O ex-presidente do BC Armínio Fraga acredita que o país ainda precisa criar as condições para ter taxas de juros mais baixas, com um governo mais eficiente, reduzindo o custo país. Mas Fraga elogiou a mudança no mix da política econômica do governo da presidente Dilma Rousseff, “com a clara opção de segurar o lado fiscal, deixando espaço para a política monetária”, de forma a perseguir finalmente juros mais baixos. “Vejo com bons olhos os sinais que passa o governo da presidente Dilma. Ela deixou claro que os brasileiros optaram por governo grande e que é dever do governante fazer com que ele seja eficiente”, afirmou.

Os membros da equipe econômica têm apresentado a atual consolidação fiscal, que já levou ao cumprimento de 78% da meta de superávit primário até julho, como uma ferramenta importante desse novo mix. O diretor de Assuntos Internacionais e Regulação Financeira do Banco Central, Luiz Pereira Awazu da Silva, no discurso de encerramento do evento da BM&FBovespa, voltou a ressaltar o “fortalecimento” dessa política. “A consolidação fiscal contribui para uma condução adequada da política monetária, além de permitir a redução dos custos financeiros pagos pelo governo e o alongamento dos prazos de financiamento.”

O BC avalia que o cenário internacional está se desdobrando para a sua vertente mais negativa, com menor crescimento da economia mundial e riscos elevados de recessão. O Brasil está “mais preparado”, disse o diretor do BC, mas ele afirmou, em dois momentos de seu discurso, que as condições de hoje da economia mundial são “extraordinárias”, o que requer que seja feita uma análise “friamente e tempestivamente” de suas circunstâncias. Esse foi o último discurso oficial da autoridade monetária antes dos dois dias de reunião do Copom.

O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, não vê pressão inflacionária no Brasil e diz que os índices mostram tranquilidade, “exatamente na rota que prevíamos”, afirmou. Parte da crença do alívio na inflação está centrada em uma expectativa de menor pressão nos preços das commodities. “No ano que vem, não deve haver o choque do preço do etanol e de outros produtos, como algodão e carnes, decorrentes de fatores específicos.”

*Os repórteres viajaram a convite da BM&FBovespa

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