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A captação concluída ontem pelo Tesouro Nacional teve a menor taxa de juros paga por um emissor latino-americano em todos os tempos. O governo brasileiro pagará um cupom de 2,625% ao ano por uma emissão com vencimento em 10 anos – o que resulta em taxa de retorno para o investidor (yield) de 2,686% ao ano.
 
O percentual ficou bem abaixo do recorde anterior, do governo chileno, que pagou 3,25% por uma colocação de mesmo prazo no ano passado.
 
O Brasil captou US$ 1,25 bilhão, com uma demanda ligeiramente inferior a US$ 4,5 bilhões. Uma nova rodada de captações começou ainda de madrugada no mercado asiático, o que pode elevar o volume em até 10%.
 
A taxa obtida chegou a surpreender executivos mais antigos desse mercado. Muitos relataram que participaram de emissões brasileiras que pagaram taxas da ordem de 15% para papéis de 5 anos em passado não muito distante, logo após as renegociações da dívida externa dos anos 90.
 
O juro pago representou um prêmio de risco (spread) de 110 pontos-básicos, ou 1,1 ponto percentual acima do título soberano dos Estados Unidos (Treasury) de mesmo vencimento. Esse spread ainda recuou ao longo da operação, que durou poucas horas, já que o anúncio estimava um prêmio de 115 pontos básicos.
 
Segundo Andre Silva, diretor do Deutsche Bank, o spread representa um patamar extremamente positivo para o país, dada a nota de risco (rating) do governo brasileiro, “BBB”. O Deutsche coordenou a oferta ao lado do BTG Pactual, com o BB Securities como colíder.
 
Ele compara a emissão do Tesouro com uma de mesmo vencimento da empresa americana Berkshire Hathaway, cuja nota de risco é “AA”, mas que foi encerrada com spread de 107 pontos-básicos sobre o título americano.
 
Silva avalia que as operações de empresas brasileiras que saírem na sequência podem se beneficiar desse momento. “As emissões das empresas brasileiras de primeira linha podem atingir os custos mais baixos da história”, diz.
 
Esta foi a primeira operação soberana com a participação do BTG Pactual entre os coordenadores. Antes deles, apenas um banco brasileiro tinha participado de uma colocação, o Itaú BBA.
 
Segundo Sandy Severino, diretor do BTG Pactual, os bancos nacionais não devem nada aos estrangeiros em termos de distribuição. “Com as aquisições que fizemos no Chile e na Colômbia [de corretoras] temos hoje a melhor distribuição na América Latina entre os banco”, diz.
 
A operação contou ainda com a coliderança da BB Securities, que já executa esse papel há vários anos. “A captação com uma taxa tão baixa cria um momento bem positivo para os emissores brasileiros”, diz Leonardo Loyola, gerente-executivo do Banco do Brasil. “A sinalização foi muito boa.”
 
O momento continua positivo, mas os investidores podem aproveitar a sequência de eventos na Europa e nos Estados Unidos para “digerir” as operações recentes, diz Silva, do Deutsche.
 
Alexei Remizov, diretor do HSBC, lembra que as ações do Banco Central Europeu, a divulgação de dados do mercado de trabalho nos Estados Unidos, além da votação pela suprema corte alemã das regras do novo fundo de estabilidade para a região podem deixar o investidor em compasso de espera nos próximo dias.
 
Além disso, estão todos aguardando uma possível decisão do Federal Reserve, o banco central dos EUA, sobre um novo programa de estímulo monetário. “Isso pode deixar os emissores fora do mercado por pelo menos uma semana”, afirma Remizov.
 
A reabertura da janela de captações externas nesta semana foi um movimento que se insere em um contexto global de investidores ávidos por títulos de renda fixa para alocar investimentos. Esse apetite fez com que a demanda pelos títulos soberanos do Brasil de dez anos fosse quase quatro vezes superior ao US$ 1,25 bilhão captado.
 
“Setembro é tradicionalmente um mês bom para captações, e há espaço para os brasileiros, sem dúvidas”, diz Luiz Eduardo Campos, da Dinosaur Securities, em Londres. “Mas o mesmo movimento também é visto com emissores de diferentes partes do mundo.”
 
Ele explica que, diante do patamar mais baixo do rendimento dos Treasuries, tanto os papéis soberanos quanto os corporativos estão vindo com retornos ao investidor mais baixos do que as operações do começo do ano, época fértil de emissões externas. Outra captações foram feitas pela espanhola Telefónica e pelo banco coreano de desenvolvimento KDB, além de um dos maiores bancos da Colômbia, o Bancolômbia.
 
Fonte: Valor Econômico/ Fernando Travaglini/ Filipe Pacheco – 06/09/2012

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