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O Brasil está perdendo valor no mercado de derivativos de crédito no ritmo mais rápido entre as maiores nações em desenvolvimento, com a inflação superando a taxa de crescimento no patamar mais elevado em três anos.
 
O custo para proteger os títulos públicos brasileiros denominados em dólar contra perdas aumentou 21 pontos-base no último mês, para 128 pontos-base. Com isso, o preço dos creditdefault swaps sobre US$ 10 milhões em dívida subiu para US$ 128.000. Os derivativos de Rússia, China e do State Bank of India, um indicador para a nação, subiram menos ou caíram no mesmo período. Comprar proteção para a dívida brasileira está mais caro em relação à média de três meses do que qualquer outra nação nas Américas, exceto a Argentina.
 
Os investidores estão perdendo a confiança na habilidade brasileira de reanimar a economia, depois que pressões sobre os bancos para reduzirem as taxas de juros e exigências de menores tarifas de energia produziram crescimento de apenas 1% no ano passado, de acordo com o Banco Central. Ao mesmo tempo, intervenções no câmbio fizeram do real a moeda mais volátil da região. Os operadores estão aumentando as apostas de que o BC terá que elevar a Selic neste ano, depois que incentivos fiscais sobre bens de consumo levaram a inflação ao maior patamar em um ano no mês passado.
 
“O perfil de crédito do Brasil está se deteriorando”, disse Siobhan Morden, diretora de estratégia de renda-fixa para América Latina no Jefferies Group Inc, em entrevista por telefone de Nova York. “Se o Banco Central for forçado a elevar as taxas por causa da inflação no teto da meta e o crescimento estiver apenas começando a se recuperar, isso acabará afetando os spreads de crédito.”
 
A assessoria de imprensa do BC se recusou a comentar em comunicado por e-mail. O Ministério da Fazenda não respondeu imediatamente a e-mail com pedido de comentário.
 
Preços das commodities em queda, gastos mais altos do governo e uma situação fiscal mais fraca estão inflacionando os custos para proteger os papéis brasileiros de um default, segundo James Anders, senior analista na Consilium Investment Management, que administra US$ 225 milhões de ativos em Fort Lauderdale, Florida (EUA). Depois de dez consecutivos déficits orçamentários, o Brasil registrou um superávit em dezembro, porque o governo lançou mão de recursos do fundo soberano e lucros das estatais para melhorar seu balanço. “Esse tipo de atitude tende a ter um efeito negativo na percepção de risco por parte dos investidores”, diz Carlos Kawall, economista senior no Banco Safra. “Anúncio de que o governo está transferindo recursos do fundo soberano pagamentos de dividendos para atingir o objetivo de superávit geram uma visão negativa do desempenho fiscal do país”.
 
O custo para proteger os títulos brasileiros contra a inadimplência por cinco anos subiu dois pontos base para 130 pontos base. Credit-default swaps pagam o valor de face do comprador em troca de valores mobiliários subjacentes ou o equivalente em dinheiro, se um mutuário deixa de aderir a seus contratos de dívida.
 
“A alta é um amplo reconhecimento de que há uma preocupação sobre a equação inflação X crescimento”, diz Siobhan Morden, diretora de estratégia de renda-fixa para América Latina no Jefferies Group
 
Fonte: Brasil Econômico / Gabrielle Coppola / Julia Leite / Bloomberg – 27.02.13

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