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Há uma semana de nova reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), completando um ano do ciclo de queda da taxa Selic (que deve cair novamente, para 7,5% ao ano), a equipe econômica vê como praticamente nulas as possibilidades de os juros básicos voltarem a aos dois dígitos no médio prazo. Na avaliação de fontes da equipe econômica, a mudança que está ocorrendo há 12 meses consecutivos não pode ser encarada como conjuntural, mas, sim, como uma mudança estrutural que põe um ponto final em uma distorção que havia na economia brasileira.
 
Em julho de 2009, o Copom reduziu pela primeira vez a taxa Selic a um nível histórico de 8,75% ao ano. No entanto, um ano depois foi obrigado a subir os juros até 12,50% anuais por causa do repique inflacionário que ameaçava a meta.
 
“Desta vez, mesmo que a inflação volte a subir, não será preciso elevar a Selic a um nível tão alto”, afirmou um integrante do governo, que prefere não ser identificado. A redução permanente do juro seria, portanto, um outro e importante passo para completar o trabalho de estabilização iniciado em 1994, com o Plano Real. “Estamos na fase dois da estabilização”, diz, lembrando, entretanto, que o processo de desindexação da economia levará mais tempo para acontecer.
 
A redução permanente da Selic deixa o país fiscalmente mais saudável. Afinal, hoje o governo federal paga algo como 6% do Produto Interno Bruto (PIB) em juros da dívida a cada ano. Em 12 meses, a cada 1 ponto percentual de queda no juro básico, a economia chega a R$ 40 bilhões. No futuro, esse gasto menor com a manutenção da dívida pode ser usado pelo setor público para impulsionar sua taxa de investimento ou amenizar a carga tributária e estimular o setor produtivo.
 
Os juros altos, complementa outro técnico, alimentam um ciclo vicioso no setor público: rolar a dívida em níveis elevados exige um superávit maior e isso retrai a economia. “Estamos quebrando esse canal de auto alimentação e abrindo uma oportunidade de ter no Brasil um sistema financeiro o mais diversificado possível.”
 
Para o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, as taxas de juros mais baixas vão impor uma realocação dos ativos e ampliar as fontes de recursos, inclusive para empresas de segmentos econômicos que não tinham acesso ao crédito.
 
Haverá mudanças de atuação tanto do sistema financeiro quanto dos agentes econômicos: linhas de crédito de longo prazo vão crescer ao mesmo tempo em que os investidores institucionais, como fundos de pensão e seguradoras, ampliarão a demanda por títulos privados. “Nesse contexto, emergirá uma interligação mais intensa entre o mercado bancário e o de capitais”, disse Tombini em discurso recente.
 
O Banco Central espera que o acirramento da competição entre as instituições bancárias leve a mais um ciclo de expansão no crédito.
 
Fonte: Brasil Econômico/ Simone Cavalcanti – 23/08/2012

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