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Stuart Thomson sabia o que fazer no mês passado, quando os retornos dos papéis espanhóis subiram para níveis recorde: vender títulos da dívida alemã. “Não tem como a Alemanha não ser afetada por isso”, disse Thomson, cogestor de US$ 109 bilhões em ativos da Ignis Asset Management em Glasgow, na Escócia. “A Espanha não conseguirá sobreviver sem ajuda externa. O socorro financeiro criará mais ônus para a Alemanha.”
 
O abrandamento da posição da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, em relação ao plano de resgate para Espanha e Itália do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, está afastando investidores que compraram “bunds” (títulos alemães) por apostar na vigilância fiscal de Merkel.
 
Investidores que buscam um abrigo seguro em relação aos mercados de bônus em queda vertical estavam dispostos a aceitar retornos abaixo de zero pelos bunds alemães com vencimento em não menos que três anos porque tinham confiança na promessa de Merkel de não aumentar o endividamento do país para ampliar os programas de socorro financeiro destinados aos vizinhos mais frágeis. Fundos que administram mais de US$ 4 trilhões estão se voltando contra os bunds movidos pela preocupação de que os custos enfrentados pela Alemanha para socorrer os países mais endividados da zona do euro vão subir. O total deverá alcançar € 500 bilhões, segundo a empresa de pesquisa Graham Fisher. Isso representa cerca de 45% dos títulos da Alemanha atualmente em circulação, segundo dados da Bloomberg.
 
“O risco de que a Alemanha tenha de emitir mais papéis para financiar a operação de resgate é real”, disse Johannes Jooste, estrategista-sênior da Merrill Lynch Wealth Management de Londres, que gerencia US$ 1,8 trilhão em âmbito mundial e reduziu sua exposição a bunds desde o ano passado. “Estou cético quanto a investir em papéis de rendimento zero. Não estou convencido de que os retornos atuais se justificam.”
 
A decisão da Ignis e da Merrill Lynch de reduzir ou eliminar os bunds da carteira de investimentos está sendo seguida por Fidelity Investment, Carmignac Gestion e Pacific Investment Management (Pimco). Bancos como BNP Paribas, Royal Bank of Scotland (RBS) e Barclays também venderam esses bônus soberanos. Ainda em 25 de julho, a diferença entre o número de opções para o contrato de setembro que concede o direito de vender bunds de 10 anos e o que autorizava compras desses títulos era a maior deste ano. É um fenômeno inverso ao ocorrido em maio, quando as opções de compra superavam as de venda.
 
Retornos inferiores a zero significam que investidores que mantêm o título em carteira até seu vencimento vão receber menos do que pagaram.
 
Os bônus alemães perderam 0,7% de seu valor, incluindo-se os juros reinvestidos, desde 25 de julho, comparativamente à perda de 1,2% registrada pelos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, segundo índices reunidos pela Bloomberg e pela Federação Europeia das Associações de Analistas Financeiros.
 
Ao mesmo tempo em que o ônus de seu pacote de salvamento ameaça subir, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha desacelerou por quatro trimestres consecutivos, para 1,2% nos três primeiros meses deste ano, em relação ao mesmo período de 2011.
 
O rendimento dos bônus da Espanha de 10 anos subiu para 7,75%, recorde da era da zona do euro, em 25 de julho, comparativamente ao seu recorde de baixa deste ano, de 4,83%, registrado em 1° de março. A diferença entre o retorno dos papéis da Espanha e os da Alemanha de 10 anos alcançou 6,50 pontos percentuais no mesmo dia, também um recorde, antes de baixar para 5,52 pontos percentuais no dia 10.
 
“Não confio muito no que vai acontecer na Alemanha”, disse Rose Ouahba, diretora de renda fixa da Carmignac, sediada em Paris, que administra cerca de US$ 60 bilhões, no dia 27 de julho. Rose vendeu em junho todos os bunds que tinha, e prefere os títulos do Tesouro dos EUA, para os quais os investidores têm uma visão “mais clara”. A Alemanha poderá perder sua atratividade como refúgio contra a turbulência se não aceitar o custo de implementar uma integração europeia mais sólida, disse Josh Rosner, analista para o setor bancário da empresa de pesquisa em ativos financeiros Graham Fisher, sediada em Nova York.
 
As autoridades da área econômica deveriam dar ao BCE autonomia para salvar bancos, criar um programa de seguro de depósitos e imprimir moeda – como ocorre no caso do Federal Reserve, o BC americano -, a fim de respaldar o crescimento, disse ele. “Quando o custo supremo para a Alemanha tiver sido compreendido, assistiremos a uma fuga para refúgios externos à zona do euro”, disse Rosner. “O melhor dos cenários é o governo da Alemanha finalmente dizer à sua população que há custos associados a cada uma das soluções, ou seja, a total integração ou a total dissolução.”
 
A Pimco, que gerencia os mais que US$ 260 bilhões do Total Return Fund, o maior fundo de bônus do mundo, disse que os bunds estão supervalorizados e que está se formando uma bolha nesse mercado. “Se o investidor se restringir à Europa, preferirá alternativas mais atraentes do que os bunds”, disse Myles Bradshaw, vice-presidente-executivo e gestor de investimentos da Pimco em Londres. “Em termos mundiais, há alternativas muito melhores aos bunds. O euro passa por uma crise existencial e as avaliações dos bunds estão caras.”
 
A Pimco prefere bônus de certos mercados emergentes e títulos dos EUA, Reino Unido, Austrália e países escandinavos, cercados por “menos incertezas de política econômica”, disse Bradshaw.
 
A demanda por títulos da Alemanha será sustentada pela crise da dívida, que poderá se estender por mais dois anos, disse Jonathan Lemco, diretor e analista-sênior de títulos soberanos do grupo de pesquisa tributável do Vanguard Group. O Vanguard detém papéis de órgãos patrocinados pelo governo alemão emitidos em dólares. “A Alemanha tem certos pontos fortes”, disse Lemco. “É uma economia sólida e bem-administrada. Sua situação fiscal e financeira continua saudável.”
 
Alguns investidores estão comprando os títulos com base no pressuposto de que, se a zona do euro se dissolver, seus ativos serão redenominados num marco alemão relativamente seguro, disse Jamie Stuttard, diretor de administração de bônus internacionais da Fidelity Investments de Londres. Stuttard disse que seu fundo Fidelity Global Bond dá preferência a bônus corporativos alemães, ao mesmo tempo em que mantém subexposição em títulos do governo do país desde novembro. O Fidelity tem cerca de US$ 1,6 trilhão em ativos administrados.
 
Fonte: Valor Econômico/ Bloomberg/ Anchalee Worrachate/ Susanne Walker – 14/08/2012

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