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Influenciado pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis, o resultado do comércio varejista de junho surpreendeu positivamente. As vendas no varejo ampliado—que considera todas as atividades — cresceram 6,1% no sexto mês do ano, em relação a maio, e tiveram expansão de 12,3% em relação a junho do ano passado, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De janeiro a junho, o ganho foi de 7%.
 
“Esperávamos, respectivamente, altas de 4,3% e de 10,5%, enquanto o mercado apontava para elevações de 3,5% e de 9,2%”, comenta Octavio de Barros, diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, acrescentando que o bom desempenho se deve ao setor automotivo.
 
De maio para junho, as vendas no segmento de veículos e motos, partes e peças avançaram 16,4%. Na comparação com junho de 2011, o crescimento chegou a 19,8%.
 
O varejo restrito—que exclui o setor automotivo e de construção civil — também apresentou expansão nas vendas, de 1,5% sobre maio, quando havia caído 0,8% ante o mês anterior, e de 9,5% em relação a junho do ano passado — no semestre acumulou alta de 9,1%. Os segmentos de hipermercado, móveis e eletrodomésticos foram os principais a influenciar o resultado geral do mês.
 
No caso de hipermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, houve crescimento de 0,8% de um mês para o outro, bem melhor do que o esperado. Para Octávio de Barros, a aposta feita para estes segmentos era de recuo. “Estimávamos queda de 4,1%”, conta. “O resultado das vendas do comércio varejista reforça a percepção de que os estímulos adotados têm surtido efeito, o que fica potencializado por um quadro no qual a renda continua crescendo em ritmo elevado”, diz Barros.
 
O economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e ex-diretor do Banco Central, Carlos Tadeu de Freitas Gomes, avalia que este resultado é um sinal favorável à economia brasileira. “O dado dá indicativos de que a nossa recessão foi cíclica”, diz.
 
Por conta desse cenário, Gomes se mostra otimista ao apostar em um resultado mais robusto para o Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre. “O crescimento da nossa produção de bens e serviços deve se situar entre 0,3% e 0,5%”, completa.
 
Para o economista da Um Investimentos, André Mallet, há uma tendência de recuperação do comércio, que começa a sentir os efeitos das medidas de incentivos fiscais dadas pelo governo desde dezembro de 2011.
 
Por conta disso, Mallet aposta na manutenção do IPI reduzido para os setores beneficiados, mas faz um alerta quanto ao risco de inflação no médio prazo.
 
“Estamos com uma situação inflacionária muito controlada e o governo deve se aproveitar disso para seguir estimulando o consumo. Contudo, isso deve pesar sobre o futuro da taxa básica de juros”, diz. Ele aposta que o governo deve voltar a elevar a Selic, hoje em 8% ao ano, em algum momento deste ano.
 
O economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), Armando Castelar, prevê que o setor não deve continuar a experimentar resultados tão expressivos nos próximos meses. Ele aponta que o efeito da queda do IPI já foi incorporado. “Os incentivos fiscais contribuíram para que as pessoas antecipassem as compras. Com o seu fim, não devemos ver taxas como as de junho”, diz.
 
Fonte: Brasil Econômico/ Cristina Ribeiro de Carvalho – 17/08/2012

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