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Uma súbita desaceleração da economia da China, crise de endividamento nos países ricos e colapso dos preços de ativos financeiros estão entre os principais riscos para a estabilidade econômica e política global neste e nos próximos anos, diz o Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês).

“A crise financeira e a recessão que se seguiu criaram um ambiente mais vulnerável em que os riscos não resolvidos podem se tornar a crise de amanhã”, disse Robert Greenhill, diretor-executivo do fórum, ao apresentar o relatório sobre riscos globais. O documento ajuda a dar o tom para os debates no encontro de Davos, que todo fim de janeiro reúne boa parte da elite econômica e política global. 

Para o WEF, a possibilidade de uma súbita redução do crescimento econômico da China para 6% ou menos ao ano (a previsão oficial deste ano é de 9,6%) seria acima de 20% e poderia causar perdas econômicas de até US$ 1 trilhão.

O WEF diz que Pequim “navegou” com sucesso na crise financeira e na recessão global, mas que muito do impulso doméstico vem da alta enorme dos empréstimos, com riscos de criação de bolha nos ativos financeiros e imobiliários. Isso traz sempre a ameaça de forte correção recessionária, com impacto considerável na economia mundial, nos mercados de capitais e de commodities. Para o Brasil, a implicação seria forte, diante da vigorosa expansão das exportações brasileiras para o mercado chinês.

Outro risco é o impacto devastador de um novo colapso dos preços de ações e outros ativos financeiros. O WEF nota que a crise financeira atual provocou uma recessão global, com perda de 1,5% na produção mundial e contração nas economias avançadas de 3,5%.

O relatório cita temor também de o declínio do dólar e as baixas taxas de juros alimentarem outra bolha, desta vez de liquidez mais que de endividamento. Além disso, o nível de falências de empresas continua alto. Os calotes de cartões de crédito, relacionados ao desemprego, já chegam a níveis históricos. A atual taxa de desemprego de mais de 10% nos EUA é bem maior do que a taxa de 6,5% que a maioria dos modelos de empréstimos dos cartões de crédito pode suportar. Outra ameaça é o mercado de imóveis comerciais. Um exemplo é Dubai, com endividamento elevado demais. Futuros choques de refinanciamento podem chegar ao pico entre 2011 e 2013.

Para o WEF, o impacto de crise fiscal nos países ricos e as consequências sociais e políticas da alta do desemprego pressionarão mais os atuais modelos em saúde, educação e proteção contra o desemprego, diante de governos com pouca margem de manobra.

Segundo o FMI, o endividamento dos países do G-20, grupo de grandes economias do qual o Brasil participa, subirá de 63% do PIB, em 2007, para 85% até 2014. Mas esse aumento ocorrerá essencialmente nos países ricos. Em contraste com os anos 80 e 90, as economias emergentes não são a causa de uma crise fiscal global.

O WEF estima que a deterioração nas contas públicas dos países ricos, que gastaram trilhões para salvar bancos e estimular suas economias, deve causar pressões para alta das taxas de juros reais. E calcula que uma deterioração de 10 pontos percentuais na relação dívida/PIB pode causar elevação dos juros de 40 pontos base. O risco de calote de governos aumenta.

Mas o relatório ataca um eventual excesso de regulamentação. Estima que isso causaria um custo de até US$ 500 bilhões globalmente para o setor financeiro.

Por outro lado, alerta que a recessão limitou a capacidade dos governos de investir em infraestrutura, principalmente em agricultura e energia, e avalia a necessidade global de investimento nos próximos 20 anos em US$ 35 trilhões. 

Fonte: Valor Econômico/Assis Moreira – 15/01/10

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