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O governo acredita que diminuiu a chance de ocorrência de um evento de crédito – a quebra de um banco ou o calote desordenado de um governo – na Europa em 2012. A expectativa em Brasília é que a economia mundial cresça menos no ano que vem, mas sem a repetição de uma turbulência como a de 2008, quando a quebra do banco americano Lehman Brothers arrastou o mundo para uma crise profunda.

Na avaliação de fontes oficiais, o momento mais crítico de 2012 ocorrerá no primeiro semestre, quando vencerão cerca de € 600 bilhões em compromissos de dívida de três países europeus – Itália, Espanha e Grécia. O risco é que, por causa da desconfiança do mercado com a capacidade de pagamento dos três governos, essas economias não consigam rolar os débitos.

Diante desse cenário externo e como resultado das medidas que vem adotando nas áreas fiscal e monetária, o governo aposta que, em 2012, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro crescerá mais do que este ano e que a inflação será menor, convergindo para a meta de 4,5% no fim do ano. Na sexta-feira, a presidente Dilma Rousseff disse que a meta é fazer o PIB crescer 5% no próximo ano.
Nas últimas semanas, o custo de financiamento da Itália, terceira maior economia da zona do euro, cresceu de forma acelerada. No dia último dia 14, um título de dez anos do Tesouro italiano estava rendendo 6,7% ao ano. No mesmo dia, um papel de prazo igual do governo alemão era negociado a 1,9% ao ano. A diferença entre os dois papéis chegou a 4,85 pontos percentuais.

A equipe econômica brasileira acha, contudo, que os europeus conseguirão contornar as dificuldades. A crença se baseia nas medidas que o Banco Central Europeu (BCE) tem adotado para dar liquidez aos bancos e também, em alguma medida, aos papéis soberanos negociados nos mercados.
O governo acredita que, em 2012, o BCE reduzirá a taxa básica de juros de 1% ao ano para zero e que os governos farão os ajustes fiscais necessários para enfrentar a crise. Na sexta-feira, o novo governo italiano, por exemplo, conseguiu aprovar, na Câmara dos Deputados, o pacote que, por meio de cortes de despesa e aumento de impostos, reforçará a posição fiscal do país em € 30 bilhões.

A equipe econômica acredita que a economia chinesa, mesmo afetada pela crise, fará um “soft landing” (pouso suave). “A tendência é que, lá, ocorra uma desaceleração administrada pelo governo, que tem bala na agulha para não deixar a economia cair muito”, disse uma fonte. A expectativa é que a taxa de crescimento da China caia para 8% no ano que vem, depois de avançar 9,5% neste ano (estimativa do Fundo Monetário Internacional) e 10,3% em 2010.
Quanto à economia americana, a avaliação de Brasília é a de que a situação melhorou um pouco, com o aumento recente do consumo, mas que há vários riscos adiante. Um deles é o fato de o mercado de crédito estar disfuncional.
Depois da crise de 2008, os consumidores aumentaram a taxa de poupança, que antes era negativa. Mas, como não há crédito, eles estariam consumindo parte dessa poupança, o que impõe limites à recuperação da economia. Há um impasse na área fiscal e o preço do petróleo está muito alto, fato que afeta negativamente a atividade econômica.
O cenário internacional é importante, porque é central nas avaliações de conjuntura que o Banco Central (BC) vem fazendo desde o início do ano. Foi com base nesse cenário que o BC, em agosto, decidiu iniciar um ciclo de redução da taxa básica de juros (Selic).

A crise europeia já está afetando a economia brasileira. Segundo estimativa da equipe econômica, de agosto para cá o custo das linhas externas disponíveis para ao Brasil aumentou, em média, meio ponto percentual (ou 50 pontos-base). Não estaria havendo, contudo, escassez de recursos. Eles estão apenas mais caros.
O governo calcula que o funding externo responde por 19% do total de volume de crédito da economia brasileira. Há um estoque disponível de linhas internacionais para o Brasil de US$ 70 bilhões, além de US$ 35 bilhões em linhas de financiamento ao comércio exterior. “Isso não tem se alterado”, comentou um assessor.

Apesar do cenário externo, a equipe econômica confia num crescimento forte do PIB em 2012. A expectativa da área técnica é que a economia cresça menos do que os 5% previstos pela presidente Dilma na semana passada, mas a uma taxa elevada quando comparada internacionalmente e suficiente para manter o índice de desemprego estável – hoje, em 5,8%.
A aposta numa expansão em 2012 superior à de 2011 se baseia, principalmente, nos efeitos da política monetária. Desde agosto, o Banco Central já cortou a taxa Selic em 1,5 ponto percentual, reduzindo-a de 12,5% para 11% ao ano. A taxa real já caiu à mínima histórica – cerca de 4,5% ao ano. No mercado, a expectativa é que o BC continue reduzindo a Selic nos próximos meses.
Com isso, o governo acredita que a taxa de investimento da economia vai acelerar no segundo semestre. Os técnicos acreditam que o chamado PIB potencial brasileiro, isto é, o percentual que a economia pode crescer sem gerar inflação acima da meta, está em 4,5% neste momento. Neste ano, o PIB pode terminar com expansão inferior a 3%.
Apesar de prever um crescimento mais forte em 2012, o governo acha que a inflação convergirá para a meta de 4,5% – ou algo próximo disso – no fim do ano que vem. Na avaliação dos técnicos, já há uma “convergência encomendada” do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) até maio do ano que vem. Nesse período, o índice acumulado em 12 meses cairia quase dois pontos percentuais, levando a inflação para 5,5% – em setembro, estava em 7,33%.

Os técnicos dizem que a inflação está cedendo rapidamente. Entre outubro de 2010 e abril deste ano, a média mensal, considerando os 12 meses acumulados, foi de 0,77%. No período entre maio e novembro, a média mensal caiu para 0,38%.
Dada a situação internacional, o governo não espera um novo choque de preços de commodities, como o que pressionou a inflação no último trimestre de 2010 e o primeiro de 2011. Uma boa notícia comemorada na semana passada foi a queda do IGP-10 de 11,16% em 2010 para 5,33% em 2011. Por causa disso, a equipe econômica estima que a pressão por aumentos de preços dos contratos atrelados a esse índice será menor em 2012.

Fonte: Valor Econômico/Cristiano Romero – 19/12/2011

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