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O Banco Central não tem nada a contestar no relatório anual divulgado pelo Banco Internacional de Compensações (BIS), disse o diretor de Fiscalização da autoridade, Anthero Meirelles. Já o Ministério da Fazenda, segundo o Valor apurou, discorda totalmente da avaliação da entidade de que há riscos na expansão do crédito no Brasil.

 
A leitura que Meirelles faz do documento é diferente da opinião dos que viram ali um alerta contra uma suposta bolha de crédito no Brasil. Para a autoridade, o BIS não apontou nenhum problema que ela mesma já não tenha detectado e ao qual já não tenha reagido.
 
“O relatório olha para trás”, afirmou Meirelles, acrescentando que as preocupações do BIS são as mesmas do BC. Ele lembrou que as preocupações apontadas referem-se aos emergentes no conjunto. O BIS chamou atenção para o fato de que o crédito nesses países cresceu bem mais do que o PIB nos últimos anos. No caso brasileiro, a relação saiu de 25,8% em 2001, chegou ao fim de 2006 em 30,9% e em abril já era de 49,6%.
 
O próprio relatório do BIS, porém, reconhece já ter havido uma desaceleração no Brasil, destacou o diretor. Isso aconteceu, entre outras razões, porque, em fins de 2010, o BC e o governo tomaram medidas prudenciais para conter a expansão. Após chegar a 20,6% em 2010 e a 19% no ano passado, o aumento deve ficar em torno de 15% em 2012. Esse, segundo ele, é um ritmo sustentável.
 
Em fins de 2011, as medidas macroprudenciais foram parcialmente revertidas. Mas ficaram as restrições ao crédito ao consumo de prazo mais longo, cinco anos ou mais, que é o tipo de crédito “mais perigoso”. “Flexibilizamos as restrições sem abrir mão da prudência”, disse Meirelles.
 
Ele ressaltou que, além de reconhecer que a expansão do crédito já arrefeceu, o relatório do BIS coloca o Brasil em situação melhor que a de outros países no que se refere à evolução da inadimplência e ao nível de provisões dos bancos. O Brasil foi um dos países onde a inadimplência menos cresceu desde o momento anterior à primeira fase da crise global, gestada nos Estados Unidos em 2007 e que se espalhou em 2008.
 
Considerada a totalidade da carteira do sistema financeiro, a parcela de empréstimos e financiamentos com pagamentos em atraso há 90 dias ou mais era de 3,7% no fim de 2006. Depois disso, caiu, voltou a subir, mas encerrou abril em 3,8%, pouco acima do que era antes da crise.
 
Ao contrário do que ocorre na maioria dos países analisados no relatório, no Brasil o sistema financeiro mantém volume de provisões para risco de crédito superior ao saldo das operações em inadimplência. Para cada um real devido pelos inadimplentes, o sistema tem provisionado R$ 1,60, informou o diretor do BC.
 
“A expansão do crédito é sustentável tanto do lado do tomador quanto do credor”, enfatizou, lembrando que o forte crescimento dos últimos anos se deu num ambiente de queda do desemprego, aumento de renda e de massa salarial. Esses fatores ajudam a sustentar o crédito porque reduzem o risco de as pessoas atrasarem pagamentos. A isso vem se somar mais recentemente a queda de juros. A redução do custo para o tomador também influencia a capacidade de pagamento das dívidas.
 
Um aspecto muito discutido é o comprometimento da renda das famílias, em torno de 22,3%. Para Meirelles, isso ocorre em boa medida pelo forte crescimento do crédito habitacional. Nesses casos, não existe efetivo aumento do comprometimento, pois a pessoa substitui aluguel por prestação. Mas a estatística não captura isso, já que mede obrigações junto aos bancos.
 
Fonte: Valor Econômico/ Mônica Izaguirre – 26/06/2012

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