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A piora da crise internacional e seus reflexos no desaquecimento econômico brasileiro começam a atingir em cheio a capacidade de refinanciamento das empresas. Consequência natural da maior pressão sobre o caixa, essa dificuldade tem levado muitas delas a buscar a recuperação judicial como caminho.

Não há ainda números oficiais que confirmem esta tendência, mas a Serasa Experian já começou a captar esse movimento no indicador de novembro, que registrou alta em relação a outubro. De um mês para o outro, a quantidade de pedidos requeridos subiu de 27 para 45, enquanto as recuperações deferidas foram de 27 para 38. “A recuperação judicial cresce em razão das medidas macroprudenciais adotadas pelo governo, que dificultaram o acesso ao crédito. Esse movimento deve se manter ao menos até janeiro, ou até que o aperto ao crédito comece a se reverter ”, diz Carlos Henrique de Almeida, assessor econômico da Serasa Experian.

Um dos principais motivos desta corrida em busca da recuperação judicial, que ganhou velocidade no último trimestre, é o maior rigor dos bancos em renovar empréstimos para empresas em dificuldade financeira, diz Fernando De Luizi, sócio do escritório que leva seu sobrenome, especializado em recuperações, que acompanha, por exemplo, o recente pedido de recuperação judicial do Grupo Dallas, controlador das marcas Avis e Budget no Brasil, que atuam na área de locação de veículos.

“Os bancos estão muito seletivos, fechando a torneira do crédito. O cenário está muito semelhante ao de 2008, após a quebra do Lehman”, diz o advogado. Atualmente, a banca encabeça 20 processos de recuperação, o dobro do volume registrado durante todo o ano passado. Outras cinco empresas que o escritório atende estudam adotar o mesmo caminho já no início do ano.

O que mais preocupa os advogados é que a busca pela recuperação judicial não reflete problemas pontuais de um ou outro setor. “Chama a atenção o fato de que o segmento de serviços está entre os que mais consultam a possibilidade de entrar em recuperação”, afirma Sérgio Emerenciano, responsável pela área no Emerenciano, Baggio e Associados.

Segundo ele, há de tudo: postos de gasolina, faculdades, fabricantes de brinquedos, cosméticos e até mesmo empresas que atuam com serviços e Recursos Humanos. Almeida, da Serasa, destaca também que muitas indústrias — especialmente as de médio porte—têm sido prejudicadas pela atual conjuntura.

À frente do processo da Arantes, o Emerenciano Baggio viu o número de recuperações judiciais saltar de 11 no ano passado para 17 antes mesmo que 2011 chegue ao fim. “E há uma filade pelos menos outros três casos no momento”. Charles Isidoro Gruenberg, especialista no assunto e sócio do escritório Leite, Tosto e Barros Advogados, também confirma a tendência. “Acabei de receber um novo pedido. Tivemos aumento de cerca de 20% nessa área e espero um crescimento ainda maior para 2012”, diz.

Outro fator que tem levado ao aumento da procura por recuperação judicial tem nome e sobrenome. Trata-se dos derivativos tóxicos, como ficaram conhecidos os perversos instrumentos financeiros que levaram empresas como Sadia à bancarrota em 2008.

“A liquidação de muitos acordos de renegociação com credores está vencendo agora e vai mostrar que os acertos não foram bons para as empresas”, acredita Thomaz Felsberg, cujo escritório registra alta de 30% no volume de sondagens sobre recuperação neste ano. A banca acompanha ainda três casos em andamento de multinacionais que enfrentam recuperação no exterior e querem saber se devem adotar o mesmo processo em sua subsidiária no Brasil.

Renegociações com bancos também são o principal motivo para justificar a maior procura por recuperações pelo Demarest & Almeida, um dos principais do país, cujo volume de pedidos subiu 30% nos últimos seis meses. “Acreditamos que 2012 será um ano novamente repleto de renegociações de dívidas e novos pedidos de recuperação”, afirma Celso Xavier, sócio da área de contencioso.

Fonte: Brasil Econômico/Luciano Feltrin e Claudia Bredarioli – 14/12/2011

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